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insubmisso-sempre



Domingo, 25.08.13

ENGRANCHADOS NA ORDEM? NÃO, OBRIGADO!

Às vezes há quem ache que os problemas dos professores se resolveriam com a existência de uma ordem. Será que resolviam, ou será que os professores passavam a ter uma nova tutela, para além do MEC, para os desrespeitar, para os despedir, para os maltratar?

Talvez valha a pena pensar no assunto a partir de um exemplo concreto. Vamos a ele.

João Grancho era  presidente da denominada associação nacional dos professores, o sucedâneo da ANPEB criada por Lemos Damião. Nessa qualidade, Grancho revelou-se um dos principais defensores de uma ordem dos professores, sendo essa exigência uma das principais da sua associação.

O seu discurso, na qualidade de presidente da associação, era de aparente defesa dos professores, contestanto a degradação das suas condições de trabalho, a precariedade no exercício da profissão docente ou mesmo a redução do número de professores nas escolas, o que, afirmava, punha em risco a realizaçãode todas as suas missões.

Grancho não falhava as manifestações em Lisboa, em 2008 e 2009, contra as políticas desenvolvidas por Lurdes Rodrigues, mostrando-se ali, junto aos professores, e não se esquecendo de saudar os dirigentes sindicais pelas suas intervenções

Grancho, no entanto, não resistiu ao apelo e pulou para o poder. Começou devagarinho, pela defunta DREN, mas logo se esticou até chegar ao governo propriamente dito, como secretário de estado numa equipa ministerial que já tem no seu currículo o maior abate de professores, despedindo-os, e a mais grave degradação das suas condições de trabalho.

Grancho está por isso comprometido com o desemprego dos docentes, com a instabilidade crescente, com o agravamento dos horários de trabalho, com a prova imposta aos docentes contratados para poderem continuar a ser professores, com alterações curriculares que empobrecem o ensino, com cortes cegos no financiamento da Educação, com os ataques violentos desferidos por Nuno Crato e a sua equipa, que integra, contra a Escola Pública.

Não surpreende, porém. Seria para dar aval a esta políticas e às práticas que delas decorrem que serviria a ordem. Para se assumir como mais uma instância de controlo dos professores, atentando contra a sua autonomia profissional, substituindo-se e/ou acrescentando-se à tutela que já hoje se abate sobre os professores.

É esta ordem em que nos querem meter e não é por acaso que os seus grandes defensores são sempre gente comprometida com os partidos do chamado arco da governabilidade, como Grancho. Grancho não engana. Nisso, é como o algodão.

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por insubmisso-sempre às 00:17


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